A História do Profeta Ismail (A.S.)

Por Kamal al-Sayyd
Traduzido por Ismail Ahmed Barbosa Júnior

O Profeta Abraão (A.S.) emigrou para a terra dos dois rios (atual Iraque). Levou com ele sua esposa Sarah e seu primo, o Profeta Lot (A.S.). Em seguida, entrou no Reino do Egito. Lá, o Faraó deu a Sarah uma jovem serva chamada Hajar, pois desejava honrar a esposa do Amigo do Misericordioso (Deus) , Abraão. O Profeta Abraão (A.S.) foi para a Palestina. Ele chegou nas terras de Sodoma, nas costas do Mar Morto. Então, ele ordenou a Lot que vivesse naquela aldeia para convocar o povo à crença em Deus, o Glorificado. Quanto a Abraão e sua esposa Sarah, seguiram para a Palestina.

Abraão viu um belo vale cercado por colinas. Então, ele parou ali para descansar. Muitos anos atrás, Abraão viveu na terra que hoje é chamada de al-Khalil. Ele montou suas tendas naquele extenso vale e deixou seu rebanho pastar ali. Aquele vale era usado pelos viajantes, assim eles o visitavam. Abraão recepcionava-os bem e conversava com eles com boas palavras. Em seguida os servia água fresca e boa comida.

O Profeta Abraão (A.S.) pregava a seus hóspedes. Desejava que as pessoas adorassem ao Deus Único. Não queria que associassem nenhum parceiro a Deus. Os dias e os anos se passavam. O povo compreendia que Abraão era um bom e generoso homem. Eles se tornaram conhecedores de sua moral, generosidade e amor pelos viajantes. Conheciam sua retidão, sua adoração e piedade.

A Boa Nova

Quando as pessoas olhavam com atenção para os olhos de Abraão, percebiam tristeza neles. Por que Abraão estava triste? Ele estava triste porque amava as crianças. Tinha a esperança de ter um filho.

Abraão envelheceu. Sua esposa também já era uma mulher idosa, mas eles não tinham nenhum filho. Eles desejavam um filho para brincar nas tendas com os cordeirinhos. Sarah, a esposa de Abraão, o amava. Não queria que ele ficasse triste, assim perguntou a ele uma noite: “Tu não desejas um filho?” “Isto depende da vontade de Deus “ respondeu Abraão. “Eu estou satisfeito com a vontade de Deus”. Sarah, uma mulher de retidão, disse: “Eu quero ter um bebê. Quero cuidar dele. Eu o amarei e ele me amará.” “Como isso acontecerá? perguntou Abraão. Sarah respondeu: “Ó Amigo de Deus, eu darei a ti minha jovem serva Hajar. Cases com ela. Que Deus te dê um filho com ela.”Abraão disse: “Sarah eu não quero ver-te triste por minha causa.” “Ó amigo do Misericordioso, eu não ficarei triste, mas sim, alegre.” Comentou Sarah.

Sarah deu sua jovem serva para seu marido. O Profeta Abraão (A.S.) casou-se com ela. Nove meses se passaram e o Profeta Abraão (A.S.) ouviu seu bebê chorando. Ele regojizou-se com o nascimento de seu filho Ismail.

A Partida

Deus, o Glorificado, deu a Abraão um filho. Abraão lhe deu o nome de Ismail. Ismail era um gracioso bebê. Preenchia o coração de seu pai com felicidade. Abraão o beijava e passava algum tempo na tenda da mãe do bebê, Hajar. Sarah era uma boa mulher. Amava o Profeta Abraão (A.S.). Queria que ele estivesse contente, porém, ela tinha ciúmes de Hajar. Deus tinha dado a Hajar um bebê e a havia privado disso. Sarah queria se livrar de seu ciúme. Não desejava nutrir más intenções em relação a Hajar. Portanto, ela disse a Abraão, seu marido: “Agora, não quero ver Hajar. Quando eu a vejo, sinto ciúmes. Eu não quero entrar no fogo (do inferno) por causa de ciúmes.” Deus, o Exaltado, é atencioso para com as pessoas. Sarah não podia ter filhos. Ela suportou os sofrimentos da emigração, pois acreditou em seu marido, Abraão. Foi paciente por todos aqueles anos. Permaneceu crendo em Deus e na Mensagem de Abraão.

Para a Casa Antiga

Nosso Senhor, o Glorioso, ordenou a Abraão que pegasse Hajar e seu filho Ismail e fosse para um lugar distante no sul. O Profeta Abraão (A.S.) obedeceu a Deus e assim iniciou a caminhada para um lugar desconhecido. Hajar o acompanhou carregando seu bebê, Ismail. Eles caminharam por muitos e muitos dias. Quando Abraão encontrava uma bela paragem ou um vale verdejante, olhava para o céu, e esperava que tivesse chegado à terra prometida. Porém, um anjo descia do céu e dizia: “Continue caminhando”. Assim, Abraão e sua esposa Hajar, carregando o bebê, continuavam a caminhar.

Depois de muitos dias, eles chegaram a um vale. O vale nada tinha exceto areia e alguma vegetação silvestre. Naquele vale, o anjo desceu do céu e disse a Abraão: “Tu chegaste na Terra Sagrada.” Abraão se deteve naquele vale, que era inabitado e que não tinha nem água nem vegetação. Deus queria que Hajar e seu bebê vivessem naquele lugar.

A Despedida

O Profeta Abraão (A.S.) beijou seu gracioso bebê, Ismail, e chorou por ele. Abraão tinha que regressar e deixar Hajar e seu bebê naquele lugar agreste, assim, ele chorou por eles. Hajar olhou para os lados. Não via nada senão areia e rochas. Ela perguntou a seu marido: “Tu nos deixará neste vale inóspito?””Hajar, Deus ordenou-me fazer isso,” respondeu Abraão.

Hajar era uma mulher crente. Sabia que Deus era bondoso com as pessoas, e que Ele desejava abençoa-los. Ela disse a Abraão: “Já que Deus ordenou-te a fazer isso, então Ele cuidará de nós. Ele não esquece de suas criaturas.” Abraão se despediu de sua esposa e de seu filho e foi embora. Abraão parava no topo das colinas e olhava para o céu. Pedia a Deus para que protegesse sua esposa e seu filho de todo o mal.

Água! Água!

Abraão desapareceu no horizonte distante. Hajar não podia mais vê-lo. Quanto a Ismail, não sabia o que estava acontecendo. Hajar cobriu o bebê com uma pele de carneiro. Levantou-se para montar uma pequena tenda para ela e o menino. Trabalhava tranqüila como se estivesse em sua própria casa. Acreditava firmemente que Deus cuidaria dela e de seu filho.

Durante o dia ela apanhava um pouco de lenha. Quando a noite chegava, ela acendia o fogo e fazia pão. Ela passava a maior parte das noites olhando o céu estrelado. Vários dias se passaram e Hajar levava a mesma vida. Ela consumiu toda a água de seu cantil. O vale era silencioso. Hajar atravessou o vale mas não encontrou nenhuma água. Ela acreditou que o vale não tinha água. Ninguém atravessava o vale e nenhum pássaro voava no céu. Ismail, o bebê, chorava por causa da sede. Ele queria um pouco de água. Entretanto, não sabia o que estava acontecendo e onde estava. Hajar olhou para o seu bebê com carinho e disse para si mesma: “O que eu farei? Onde conseguirei água neste deserto?” De repente, seu coração se encheu de sentimento de maternidade. Ela disse: “Eu devo fazer alguma coisa. Devo encontrar água nesta terra. Talvez haja um pequeno regato ou uma fonte além daquela montanha. Talvez um bom homem tenha cavado um poço para viajantes depois daquela colina.”

Hajar ergueu-se. Olhou ao redor. Ela temia que um lobo ou uma hiena viesse e devorasse seu bebê. Porém, ela não via nada senão cardos aqui e ali, então se encaminhou rápido na direção da Montanha de Safa. Hajar corria. Tinha a esperança que encontraria água. Enquanto isso, temia que surgisse um lobo e devorasse seu bebê. Ela ouvia Ismail chorando. Hajar parou no topo da montanha. Ela olhou o vale e viu alguma coisa parecida com ondas de água, assim, ela desceu em direção ao vale. Porém, não havia nada, exceto areia. O que ela tinha visto era apenas uma miragem. Hajar voltou correndo para o seu bebê, Ismail. Ela ouviu seu choro por água. Então, olhou para a Montanha de Marwa. Tinha esperança de encontrar água do outro lado. Ela correu bem rápido com a areia quase cobrindo seus pés. Hajar viu algo parecido com água. Correu para lá, mas havia sido outra miragem. Não podia ouvir o choro do bebê porque tinha se distanciado muito. Assim, Hajar correu de volta. Ouviu o choro do bebê à distância. Achou que ele estava procurando por ela pois estava com medo.

Novamente ela começou a correr entre Safa e Marwa, procurando por água para o seu filho Ismail. Achava que seu filho morreria de sede. Então, ela olhou para o céu e gritou: “Meu Senhor!” Ela subiu o monte Marwa. Não via Ismail nem ouvia seu choro. Teve medo que ele tivesse morrido de sede ou que tivesse sido devorado por um lobo faminto, então retornou correndo. Ela encontrou Ismail calmamente mexendo seus bracinhos e perninhas. Hajar ficou atônita ao ver uma fonte jorrando aos pés de Ismail. Ela olhou para o céu e chorou de alegria. Deus tinha respondido suas preces, fazendo uma fonte surgir nas areias. Ela levantou um pequeno muro ao redor da fonte porque queria fazer um poço. Mais tarde as pessoas passaram a chamar o poço de Zamzam. E os que tinham sede bebiam dele.

A tribo de Juhrum

Pássaros encontraram a água. Eles pairavam alegremente sobre a fonte. Hajar ficou contente de ver pássaros voando nos céus do vale. Ismail também ficou alegre de ver eles brincando no ar. O povo daqueles desertos eram os Beduínos. Um dia a tribo de Juhrum passou pelo vale. Eles viram pássaros voando no céu. A tribo sabia então que havia água no vale, assim rumaram para o poço. Quando os membros da tribo adentraram o vale, ficaram surpresos de ver uma mulher e seu bebê ali. A mulher disse a eles: “Eu sou esposa de Abraão, o Amigo do Misericordioso (Deus)”.

Os membros da tribo de Juhrum eram boas pessoas, assim, pediram a Hajar: “Por favor, deixe-nos viver neste vale.” Hajar respondeu: “vós tendes de aguardar até que eu peça a permissão do Amigo do Misericordioso (Deus).” Os membros da tribo de Juhrum montaram suas tendas perto do vale e esperaram pelo Profeta.

O Profeta Abraão (A.S.) chegou e viu as tendas. Também viu os camelos pastando nas imediações. Ele ficou satisfeito com a chegada daquela tribo árabe. Os membros da tribo de Juhrum vieram e pediram a Abraão a permissão para habitarem no vale. Abraão concedeu-lhes a permissão para isso. Em troca, eles deram muitos cordeiros para Ismail. Montaram uma tenda para ele e sua mãe, a fim de protegê-los do calor do sol e da chuva invernal.

Ismail cresceu e aprendeu a língua dos árabes. Ele era um bom jovem. Herdou as maneiras de seu pai, Abraão. Ele foi influenciado pela moral dos bons árabes. Aprendeu deles a generosidade, a hospitalidade, a bravura e o cavalheirismo.

A Ca`aba, o Símbolo da Unicidade Divina

Deus, Nosso Senhor, ordenou ao Profeta Abraão (A.S.) que erigisse a Casa e a Mesquita como um símbolo da Unicidade Divina e um local para a Adoração a Deus. Abraão disse para seu filho, Ismail: “Deus ordenou-me a construir Sua Casa naquela pequena colina.” Abraão obedeceu a ordem de Deus, e Ismail obedeceu a seu pai quando este lhe ordenou participar da construção da Casa de Deus.

Abraão, um ancião, e Ismail, um jovem, teriam que desempenhar aquela difícil tarefa. Eles tinham que trazer pedras apropriadas das montanhas que circundavam o vale. Tinham que juntar terra e trazer água suficiente para a construção da Casa. Assim sendo, eles trouxeram as pedras, fizeram um tanque de água e juntaram a terra. Ismail escolheu pedras sólidas e eles as carregaram para que servissem como bases da Casa. Juntaram muitas pedras naturais e em seguida derramaram a água sobre a terra. O Profeta Abraão (A.S.) alinhava as pedras uma a uma para formar as bases da Casa. E Ismail as passava a seu pai.

Ismail e seu pai levantavam uma fileira de pedras por dia. Então, eles rodeavam a Casa e diziam: “Ó Senhor Nosso, aceita-a de nós , pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo”. A construção se elevou alto. Tinha oito metros de altura. O Profeta Abraão (A.S.) deixou um vão no ângulo alto da Casa.

Naquela noite, meteoritos estavam brilhando no céu. Um meteorito caiu numa montanha vizinha. Pela manhã, Abraão se dirigiu ao alto da montanha, através do vale. Ele viu uma pedra branca como neve. A pedra era do tamanho aproximado do vão. Assim, ele a carregou e a depositou no vão dentro da Casa.

Abraão e Ismail concluíram a construção da Ca`aba, a Casa Sagrada de Deus. A Casa era a primeira mesquita em que as pessoas adorariam Deus, o Deus Único. A Ca`aba tinha duas portas – uma que dava para o leste e outra para o oeste. O Profeta Abraão (A.S.) juntou plantas aromáticas e pendurou-as nas portas da Ca`aba. Hajar, a mãe de Ismail, veio e deu uma peça de tecido, de presente, para cobrir a Ca`aba.

Abraão Convocou o Povo para a Peregrinação

O Profeta Abraão (A.S.) subiu a montanha. Chegou ao topo e conclamou o povo com toda sua voz. Convocou as pessoas a realizarem a Peregrinação à Ca`aba. A tribo de Juhrum e as tribos vizinhas ouviram o chamado de Abraão, o Amigo de Deus. Naquele ano, ninguém realizou o Hajj, exceto o Profeta Abraão (A.S.), Ismail e Hajar. O anjo Gabriel desceu ao Profeta Abraão (A.S.) e lhe ensinou como realizar a Peregrinação.

Eles pegaram água do poço de Zamzam e se lavaram com ela. Vestiram peças de pano branco e rodearam a Ca`aba sete vezes. Realizaram suas preces e pediram a Deus para que aceitasse suas ações. Em seguida, se puseram a cruzar o vale, da Montanha de Safa para a Montanha de Marwa. Então, Hajar lembrou a terrível situação naquele dia, doze anos antes. Quando Ismail era um bebê. Lembrou quando Ismail estava chorando e ela procurava por água. Quando cruzou o vale sete vezes em sua busca por água, e quando suplicou à Deus. E por fim, quando Deus, o Exaltado, fez a água jorrar aos pés de Ismail.

Deus, Nosso Senhor, quis que esses eventos permanecessem vivos na memória das pessoas. Quis que relembrassem que Deus, o Glorioso, tem poder sobre todas as coisas. O Profeta Abraão (A.S.) e Ismail, seu filho, subiram o Monte Safa e humildemente contemplaram a Casa de Deus e disseram: “Não há nenhum Deus senão Deus, Ele é Um e Único. Não tem nenhum parceiro junto a Ele, Dele é o reino e o louvor. Ele dá a vida e dá a morte e tem poder sobres todas as coisas.”

O Sacrifício

O anjo Gabriel desceu ao Profeta Abraão (A.S.) e ordenou a ele que pegasse água e fosse para Arafat e para as montanhas de Mina. Desde então, o oitavo dia de Zul Hijja tem sido chamado de Dia da Satisfação. O Profeta Abraão (A.S.) passou a noite ali, contemplando o céu estrelado. Olhava para o céu o que se assemelhava a lâmpadas. Ele sabia que Deus havia criado aquilo, assim se prostrou a Deus, o Criador. Todos os belos atributos pertencem a Ele. Deus dá a vida e dá a morte. O Profeta Abraão (A.S.) fechou seus olhos e adormeceu. Ele sonhou que sacrificava seu filho Ismail. Em seguida, despertou. Quando despertou, viu que seu filho estava dormindo. Assim, ele adormeceu novamente.

Abraão sonhou que imolava seu filho e o oferecia como sacrifício a Deus, o Senhor dos Mundos. Abraão acordou. A aurora rompeu. Ele fez sua ablução ritual e orou. Ismail despertou. Ele também fez sua ablução e cumpriu sua prece. O sol nasceu e cobriu as colinas com sua luz.

O Profeta Abraão (A.S.) estava triste. Deus, o Grande, o Poderoso, desejava testá-lo mais uma vez. Deus desejava que ele imolasse seu filho. O que faria? Se Deus, o Exaltado, tivesse ordenado que ele se lançasse numa fogueira, ele teria feito isso. O que ele faria? Desta vez teria que sacrificar seu filho Ismail.

Ismail percebeu que seu pai estava triste. Portanto, perguntou: “Pai, por que estás triste?” “Meu filho, um certo assunto me preocupa,” respondeu o Profeta Abraão “Sonhei que eu o imolava. Qual é a tua opinião sobre isso?”

Ismail compreendeu que Deus, o Exaltado, ordenara a seu apóstolo Abraão que sacrificasse seu filho. Ismail amava muito a seu pai. Sabia que seu pai se comportava de acordo com as ordens de Deus. Abraão era o Amigo do Misericordioso (Deus). Deus o testou quando ele era um jovem na terra da Babilônia. Ismail sabia que Deus desejava testar seu pai Abraão. Assim, disse: “Pai , cumpre o que Deus ordenou a ti. Queira Deus, tu me encontrarás entre os pacientes.”

O Profeta Abraão (A.S.) ficou contente com as palavras de Ismail. Ismail era leal e obediente a seu pai. Acreditava em Deus e em seu Mensageiro.

O Sacrificado

O Profeta Abraão (A.S.) pegou uma faca e um pedaço de corda e seguiu para um dos vales nas imediações. Ismail acompanhou seu pai em silêncio. Ele estava se preparando para o momento em que seria sacrificado. Ismail pedia a Deus para que o tornasse paciente a fim de suportar a dor do sacrifício. Hajar pensou que Abraão e Ismail tinham ido colher lenha.

O Profeta Abraão e Ismail chegaram ao vale. Ismail olhou para o seu pai. Viu que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ismail também chorava por seu pai, que era um ancião. Ele queria terminar com aquilo rapidamente. Portanto, disse a seu pai: “Pai, amarra minhas mãos e pernas com força. Não deixes que tuas vestes se manchem com meu sangue. Não deixes que minha mãe saiba sobre isso. Afia a lâmina. Sacrifica-me rápido, pois a dor do sacrifício é severa.” O Profeta Abraão chorando, disse: “Meu filhinho, tu és o melhor apoio ante a ordem de Deus.” Ele atou firmemente as mãos e pernas de Ismail que se submeteu inteiramente ao decreto de Deus. Então fechou seus olhos.

Abraão pôs a faca no pescoço de Ismail. Faltava apenas um instante. O que aconteceu naquele momento angustiante? Ismail foi sacrificado? Não. O Profeta Abraão (A.S.) ouviu uma voz celestial. A voz ordenou a ele que sacrificasse um cordeiro, no lugar de Ismail. Abraão olhou na direção de onde vinha a voz e viu um gordo cordeiro descendo do topo do monte. Abraão desamarrou as mãos e os pés de Ismail. Em seguida, sacrificou o cordeiro e o consagrou a Deus, Nosso Senhor, o Misericordioso. O sacrifício de cordeiros se tornou um dos rituais do Hajj desde então.

Abraão e Ismail erigiram a Casa de Deus. Muçulmanos de todas as partes a visitam. Eles a circundam e glorificam a Deus. Correm entre o Monte Safa e o Monte Marwa como Hajar fez. Sacrificam cordeiros como Abraão fez. Fazem isso de acordo com a Religião de Abraão. A religião de Abraão é a Religião do Islam.

“Eu Sou o filho dos dois Sacrificados”

Vocês sabem que proferiu esta frase? Foi o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) que disse isso. Por que disso isso? Por que ele pertencia à descendência de Ismail. O Profeta Ismail (A.S.) viveu, se casou e teve filhos.

Abd al-Mutalib, o avô do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) era um dos descendentes de Ismael. Foi ele quem cavou o poço de Zamzam. O exército abissínio atacou Meca no tempo em que ele vivia. Os abissínios vieram para destruir a Ca`aba. Abd al-Mutalib pediu a Deus, o Exaltado, para que protegesse a Casa Sagrada da maldade dos inimigos. Deus respondeu a prece do descendente de Abraão e Ismail. Ele enviou os pássaros de Ababil para que atacassem o exército de Abraha, o abissínio. Assim, os pássaros atacaram o exército e o dispersaram. Abd al-Mutalib pediu a Deus, o Glorioso, para que lhe desse dez filhos. Prometeu que se Deus o agraciasse com dez filhos, sacrificaria um deles a Ele. Deus, o Exaltado, agraciou-o com dez filhos, então, Abd al-Mutalib disse: “Deus deu-me dez filhos, portanto devo cumprir meu voto.”

Ele tirou a sorte, e esta caiu sobre Abdullah, o pai do Profeta Mohammad (S.A.A.S.). Abd al-Mutalib queria sacrificar seu filho Abdullah. O povo de Meca gostava muito de Abdullah, assim, as pessoas pediram a Abd al-Mutalib: “Não mates teu filho. Tira a sorte entre ele e os camelos. Ofereça-os a teu Senhor até que esteja satisfeito.” Abd al-Mutalib tirou a sorte entre seu filho e dez camelos. Porém, novamente caiu para Abdullah. O número de camelos aumentou para cem. Então a sorte caiu para eles. Abd al-Mutalib ordenou a seu povo que sacrificasse os camelos e dividissem a carne entre os pobres e os famintos. Abdullah esteve prestes a ser sacrificado. De maneira que ele esteve em situação semelhante a de Ismail.

Em virtude disso, o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: “Eu sou o filho dos dois sacrificados”. Porque era filho de Abdullah bin abd al-Mutalib que estava entre os descendentes de Ismail.

Muçulmanos vão à Makka todos os anos para realizar o Hajj. Eles relembram a história de Ismail, que foi leal e obediente a Deus e seu apóstolo.

“E disse (Abraão): Vou para o meu Senhor, Que me encaminhará. Ó Senhor meu, agracia-me com um filho que figure entre os virtuosos! E lhe anunciamos o nascimento de uma criança (que seria) dócil. E quando chegou à adolescência, seu pai lhe disse: Ó filho meu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes! E quando ambos aceitaram o desígnio (de Deus) e (Abraão) preparava (seu filho) para o sacrifício. Então o chamamos: Ó Abraão, já realizaste a visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores. Certamente que esta foi a verdadeira prova. E o resgatamos com outro sacrifício importante. E o dizemos (Abraão) passar para a posteridade. Que a paz esteja com Abraão – Assim, recompensamos os benfeitores.” Alcorão Sagrado C.37 – V.99 a 110.

«
»