A História do Profeta Noé (A.S.)

Por Kamal al-Sayyd
Tradução de Ismail Ahmed Barbosa Júnior

Ao escalarmos algumas montanhas ou colinas, encontramos conchas marítimas tanto em seus cumes como em seus sopés. Assim, percebemos que as águas cobriram aqueles lugares em alguma época. As pessoas em geral e os montanhistas encontram conchas em montanhas em muitas partes do mundo, tais como no Iraque, Irã, Índia, Egito, Síria, China, América, etc. Os arqueólogos encontraram tábuas de madeira no topo da cadeia montanhosa de Ararat. As tábuas datam de 2500 anos a.c. Alguns desses arqueólogos acreditam que estas tábuas pertençam a Arca do Profeta Noé (A.S.).

No ano de 1951, uma equipe de arqueólogos encontrou uma tábua de madeira no topo da montanha Qaf (em Ararat). Há uma antiga escrita nela. Depois de um ano de pesquisas, os arqueólogos concluíram que esta pequena tabuleta pertencia à Arca de Noé (A.S.). Qual é a história da Arca? Qual é a história do dilúvio? Qual é a história do Profeta Noé (A.S.)?

As pessoas formavam uma comunidade. Levavam uma vida simples. Eles aravam sua terra e caçavam animais. Dias e anos se passaram. Os fortes faziam uso de sua força. Eles oprimiam seus irmãos mais fracos. Os fracos tinham medo dos fortes. Assim se submetiam a eles e estavam satisfeitos com uma vida de humilhação e escravidão. As crenças pagãs se difundiram durante a vida do Profeta Noé (A.S.). A corrupção se tornou pública. As pessoas simples tinham medo dos fortes. E estes adoravam os ídolos.

Naquele tempo, talvez há mais de quatro mil anos atrás, o Profeta Noé (A.S.) vivia na terra entre os dois rios (Tigres e Eufrates). Noé (A.S.) percebeu que seu povo levava uma vida cheia de corrupção e extravio da verdade. Os fortes privavam os fracos de seus direitos. Os ricos perseguiam os pobres e os forçavam a trabalhar dia e noite. Quando os pobres queriam libertar-se e às suas famílias, os ricos costumavam espancá-los e torturá-los. Os ricos queriam escravizá-los. As pessoas esqueciam de adorar o Único Deus. Adoravam a ídolos que elas mesmas faziam de pedra. Pensavam que os ídolos os favoreceriam, enviando chuva, protegendo-as dos trovões e dos perigosos raios, concedendo-lhes as coisas boas e afastando os infortúnios. As pessoas faziam os ídolos com suas próprias mãos e os colocavam na margem do rio Eufrates. Chamavam a seus ídolos de Wadd, Sawá’, Yaghúth, Ya’uq e Nasr. Prestavam culto e se inclinavam diante deles.

O Profeta Noé (A.S.) ficava triste quando via seu povo se prostrando àqueles ídolos. Noé (A.S.) olhava para o céu. Orava a seu Senhor para salvar seu povo daquela ignorância. Deus, nosso Senhor, escolheu Noé e enviou-o ao povo para ensiná-lo como adorar a Ele, o Deus Único.

O Chamado a Unicidade de Deus

Um dia o povo ouviu Noé dizer:

“Ó Povo, eu sou o Mensageiro de Deus para vós. Deus vos criou. Ele vos agracia. Peçam perdão a Ele e Ele vos perdoará. Ele vos envia a chuva. Faz vossa terra verdejar. Ele vos dá filhos e filhas. Por que adorais os ídolos? Por que vos afastais da adoração de Deus, o Único? Olhai para o vasto céu cheio de estrelas! Olhai para a lua e o sol!Pensai na morte! Por que as pessoas morrem? Vos fizestes ídolos de pedra. E chamais a eles de Wadd, Sawá’, Yaghúth, ya’uq e Nasr. Pensais acaso que os ídolos vos agraciam, que vos dão filhos e enviam a chuva para vós?Pensais que vos protegem dos raios e das enchentes? Se não, por que não adorais a Deus?”

As pessoas se entreolharam e se perguntaram: “Por que este carpinteiro (Noé) ofende a nossos ídolos? Por que insulta Wadd, Sawá’, Yaghúth, Ya’uq e Nasr?”

Os fortes nutriam maus sentimentos para com Noé. Eles odiavam seu chamado e suas palavras. Pois Noé intimou-os à justiça e a fraternidade. Ele desejava que seu povo vivesse livre. Queria impedir os ricos e os fortes de escravizar os pobres e os oprimidos. Por esta razão, odiavam Noé. Com respeito a ele, diziam:

“Noé está louco. Ele é apenas um pobre carpinteiro. Se fosse Mensageiro de Deus, teria os tesouros da terra. Por que Deus não nos envia um anjo? Porque envia uma pessoa como nós? Noé é de um status social inferior ao nosso. Nós temos mais dinheiro, filhos e poder do que ele.”

Os fracos temiam os fortes. Pensavam que os fortes estavam certos. Achavam que os deuses apoiavam aos fortes e lhes davam poder. As pessoas simples se afastaram de Noé. Elas punham os dedos em seus ouvidos para não ouvirem suas palavras. Não seguiram Noé. Pois pensavam que os deuses ficariam irados e que os fortes se indignariam com eles. Esses foram os pensamentos do povo. Poucas pessoas acreditaram nas palavras de Noé. Alguns homens e mulheres pobres vinham a Noé. Deram ouvidos a suas palavras. Seus corações se encheram de fé em Deus, o Único. Estas pessoas eram muito pobres e oprimidas. Estavam com medo da punição dos senhores ricos e rudes tiranos. Por esta razão, Noé continuou convocando seu povo à adoração a Deus e a afastar-se do culto aos ídolos. Convocava-os a fazer aquilo dia e noite, secreta e abertamente.

Porém, poucas pessoas acreditavam nele. Elas eram pobres e oprimidas. O Profeta Noé sentia pena por seu povo. Queria guiá-los a senda reta. Desejava guiá-los a uma vida pacífica. Desejava impedir os fortes de perseguirem os fracos. E queria que fossem pessoas boas. Ele ordenou que os jovens respeitassem os velhos e que estes tivessem misericórdia com os jovens.

O povo adorava os ídolos. Assim, recusou-se a aceitar o chamado de Noé à Unicidade de Deus. As pessoas zombavam dele porque era um pobre carpinteiro. Os ricos achavam que eram melhores do que Noé, pois tinham mais dinheiro, mais filhos e poder do que ele.

Um dia os descrentes vieram a Noé e disseram: “Nós não o seguiremos, pois apenas os pobres o seguem. Se tu os mandasse embora, nós acreditaríamos e o seguiríamos.” Noé disse a eles: “Ó Povo, não acuseis o Mensageiro de Deus de mentir. Certamente Deus vos punirá por isso.”

Os descrentes retrucaram: “Tu discutes demais conosco. Se és verdadeiro, então que Deus nos puna. Não temos medo de tuas ameaças pois tu és um mentiroso.”

Contudo, Noé continuou convocando seu povo à adoração de Deus, o Único. Centenas de anos se passaram. As pessoas morreram. Crianças nasceram, e se tornaram adultas. Estas também eram descrentes. Prostravam-se aos ídolos e não adoravam a Deus. Vocês sabem quantos anos a convocação do Profeta Noé (A.S.) durou? 950 anos. Noé envelheceu mas era ainda forte. Ele não temia os descrentes. Eles espancaram-no muitas vezes. Conspiraram diversas vezes contra ele, pois queriam matá-lo. A esposa de Noé era uma descrente. Ela espionava-o e aos crentes que vinham visitá-lo.

Muitas vezes, Noé convocou seu povo a segui-lo. Aconselhou e pregou às pessoas. Todavia, todos seus esforços foram em vão. Elas zombavam dele. Noé amava seu povo. Queria guiá-lo. Portanto, chorava por ele. Chorava por seu mau destino, pois morreriam como descrentes.

Um dia, Noé estava em sua casa. Um homem velho apoiado num cajado veio a ele. Seu pequeno neto o acompanhava. O velho disse para seu neto: “Olhe para este homem. Ele é louco.Cuidado com ele. Pois ele o enganará. Não deixe de cultuar os ídolos Wadd, Sawá’, Yaghuth, ya’uq e Nasr.” O menino pegou o cajado de seu avô, caminhou até Noé e o golpeou na cabeça. O profeta Noé ficou triste. Porém, continuou tão paciente como antes. Noé achava que seu povo acreditaria em Deus, o Único, o Criador da vida, das pessoas, das árvores, dos rios, etc. Noé viveu deste modo. Sua esposa se opunha a ele. Ela apoiava os descrentes. Noé tinha filhos. Todos acreditavam nele, exceto um. Este filho fingia acreditar mas era um descrente. Não acreditava em Deus, o Altíssimo.

A Maldição

Um anjo desceu do céu e disse a Noé: “Não importa o quanto tu convoques as pessoas, não acreditarão em Deus. Não te canses por elas, pois são pessoas amaldiçoadas.” Foi quando Noé ergueu suas mãos para o céu . Ele pediu a Deus para que purificasse a terra da maldade dos descrentes. Em adição a isso, ele disse: “Meu Senhor, não deixes sobre a terra nenhum dos descrentes. Se deixá-los, extraviarão seus servos e não gerarão senão libertinos e ingratos.” (Alcorão Sagrado, C.71 – V.26-27)

A Arca

Deus, o Glorioso, inspirou o profeta Noé (A.S.) a construir uma grande Arca. Ele tinha parado de convocar seu povo, pois tinha feito isso por 950 anos mas nenhuma pessoa tinha acreditado nele. Os descrentes perguntavam-se: “Por que Noé está silencioso? Por que não convoca para a crença em Deus? Alguém o tem visto?”

Noé escolheu um lugar fora da aldeia para construir a Grande Arca. Ele era um experiente carpinteiro e teve que juntar grandes peças de madeira. Os crentes vieram para ajudá-lo em seu trabalho. Eles reuniram árvores secas e tamareiras. Fizeram tábuas de diferentes tamanhos. Foi difícil construir a Arca em virtude de ser tão grande. Noé a construiu com três andares. A Arca tinha 200 metros de comprimento, 70 metros de largura e 25 metros de altura.

Os descrentes não o deixavam em paz. Eles vinham ao local em que trabalhava e se punham a zombar dele e dos crentes. Noé (A.S.) estava ocupado em construir a Arca. Alguns crentes traziam tábuas, outros as pregavam e as assentavam.

Os descrentes escarneciam de Noé (A.S.) e dos crentes, dizendo: “Olhem estes loucos! Estão fazendo uma arca no deserto!” Um deles disse: “Vejam! É Noé! O que enlouqueceu!” Um outro disse: “Ele é um carpinteiro experiente. Talvez queira construir um grande palácio.” Um outro descrente gritou: “Noé, o que está fazendo? Onde está o mar?” Os descrentes riram e então um deles disse em tom de zombaria: “Noé, não se esqueça das velas . As ondas serão violentas e o vento será forte!” Os descrentes tornaram a rir de Noé.

Noé disse a eles: “Um dia, escarneceremos de vós do mesmo modo com que estais a fazer conosco.”

Construir a Arca foi difícil. Exigiu muita paciência. Noé (A.S.) queria construir uma grande Arca, pois desejava salvar os crentes e os animais do dilúvio. Deus, Nosso Senhor, queria purificar a terra da maldade, da opressão e dos pecados. Por esta razão, inspirou seu mensageiro Noé (A.S.) para que fizesse a Arca a fim de salvar os crentes bondosos. Deus decidiu destruir os descrentes, pois eles não queriam justiça. Noé (A.S.) e os crentes levaram muitos anos na construção da Arca. Eles trabalhavam rápida e ansiosamente. Contudo, demorou oitenta anos para que construíssem a Arca. A Arca era grande. O trabalho que demandou também foi grande. Noé a construiu para salvar os crentes e os animais. Noé e os crentes não pouparam esforços para finalizar seu trabalho.

Os descrentes os ridicularizavam. Os acusavam de insanidade e de inferioridade. Eles os atacavam e os perseguiam. Todavia, os crentes estavam esperançosos, pois acreditavam que Deus purificaria a terra da opressão, da agressão e da maldade. Os crentes estavam cheios de esperança porque acreditavam que o dilúvio purificaria a Terra dos pecados e crimes. Portanto levariam uma vida de paz e tranqüilidade. Ademais, seus filhos viveriam em segurança, numa sociedade tranqüila. Os crentes suportavam as ofensas dos descrentes e as agruras do trabalho de construir a grande Arca.

A Espera

Após oitenta anos de trabalho contínuo, o Profeta Noé (A.S.) e os crentes terminaram a construção da Arca. A Arca estava pronta. Tinha sido perfeitamente erguida e as velas içadas. Os crentes se aproximaram dela e a contemplaram. Seu pensamento era que ela as conduziria a uma vida melhor e os salvaria da opressão e da tirania. A Arca possuía três andares. Todos tinham pequenas janelas junto à estrutura da proa da Arca. A cabine de controle do leme era no andar intermediário.

A Arca estava pronta. Noé (A.S.) e os crentes esperavam a decisão de Deus, o Glorioso. Os descrentes os ofendiam em demasia. Escarnecendo e torturando-os psicologicamente.

Uma senhora veio a Noé com sua filhinha. Ela inquiriu-o sobre o Dia da Salvação: “Quando Deus nos salvará da maldade dos descrentes?” O Profeta Noé (A.S.) não sabia quando o Dia da Salvação viria. Assim, ele olhou para o céu. Com efeito, somente Deus sabia deste Dia. Naquele momento, um anjo desceu dos céus e disse a Noé: “Quando a água fluir da casa desta senhora, o tempo do dilúvio estará próximo.” Noé disse para ela: “Deus determinou um sinal para o Dia da Salvação. Ele inspirou-me que a água fluirá de sua casa. A água surgirá como uma fonte. Este será o sinal do Dia da Salvação.” A mulher regojizou-se com este milagre e sua filhinha sorriu esperançosa.

Os crentes iam todos os dias à casa daquela senhora. Observavam o lugar da fonte, mas não havia nenhuma água. O Profeta Noé (A.S.) também ia até lá. Entretanto, a água não tinha jorrado ainda.

E a Água Jorrou

Um dia, o céu tornou-se nublado. Ficou bem escuro. Noé estava olhando para o céu aguardando a ordem de Deus. Os descrentes intensificavam sua opressão e corrupção. Eles assassinavam pessoas e roubavam suas casas. Praticavam maldades. A perversidade aumentava dia após dia.

A garotinha veio correndo até Noé e disse: “A água jorrou!” Então Noé apressou-se a ir até lá. Deus cumprira sua promessa. A água era como uma fonte, jorrando com força. A senhora estava confusa, não sabia o que fazer. Os crentes foram até sua casa para observar o sinal de Deus. Alguns deles olhavam atônitos para a água. Outros olhavam para o céu. Todos estavam chorando de alegria. O céu estava coberto de nuvens negras. O dia era como a noite. O Profeta Noé (A.S.) ordenou a seus seguidores: “Venham. Vamos para a Arca!”

Noé e seus seguidores saíram da aldeia. A Arca estava a sua espera. Noé ordenou a seus seguidores que embarcassem. De repente, relâmpagos cruzaram o céu. Os trovões ribombaram com violência. Estava chovendo pesadamente. Os crentes, homens e mulheres, estavam embarcando na Arca um após o outro. Os filhos de Noé entraram, exceto um deles. A esposa de Noé também não veio. Ela era uma descrente. Não acreditava na Mensagem de seu marido. Então, Deus ordenou a Noé que levasse com ele alguns animais em casais. Ele colocou os grandes animais no andar superior e os pássaros no inferior.

O Dilúvio

A água jorrou das montanhas e dos vales. A chuva era torrencial. O Vento soprava com toda violência. Os relâmpagos cortavam o espaço. Os trovões ressoavam no céu. A terra estava cheia de fontes que jorravam e o céu despejava a chuva como rios. Todos os animais foram postos na Arca e os crentes ficaram no andar intermediário olhando pelas janelas o grande dilúvio. A água fluía do cume das montanhas. Os vales se tornaram rios caudalosos. A tempestade caía pesadamente. O vento soprava com toda força. Os descrentes fugiram da aldeia, pois ainda não acreditavam nas palavras de Noé.

O Filho Afogado

Noé estava ainda esperando por seu filho. Ele achava que ele era um crente. A terra estava como um mar cheio de ondas violentas. Noé olhava para a aldeia tentando ver seu filho. Ele o localizou nadando em direção das montanhas. Noé gritou com toda sua voz: “Filho, venha! Filho, venha para a Arca!” O filho gritou: “Não! Eu vou para aquela montanha . Ela me protegerá da tempestade.” Em meio a ventania, as ondas e a tempestade, o Profeta Noé (A.S.) gritou outra vez: “Filho, venha conosco! Não há nada que possa protegê-lo do afogamento!” Noé queria que seu filho entendesse que não havia nada que o protegesse do decreto de Deus. Queria que ele entendesse que o dilúvio cobriria tudo, pois Deus decidira purificar a terra de toda maldade. Noé gritou pela terceira vez. Porém, uma forte onda veio e cobriu seu filho. Noé pensava que seu filho fosse um crente. Deus tinha prometido a Noé que salvaria sua família, exceto sua esposa (em razão de sua descrença). Assim, Noé olhou para o céu e disse: “Meu Senhor, em verdade meu filho é de minha família e tua promessa é decerto verdadeira e Tu és o mais justo dos juízes.” Deus, o Glorificado, inspirou a Noé e disse: “Ó Noé, ele não é de tua família. Em verdade é um dos malfeitores . Portanto não me questiones sobre aquilo que não sabeis .”

Noé entendeu que seu filho era um descrente e que não acreditava em Deus e na sua Mensagem. Noé pediu perdão a Deus: “Meu Senhor, me refugio em ti quanto a questionar-te sobre aquilo que não tenho conhecimento. E se tu não me perdoares e não tiveres misericórdia de mim , estarei entre os derrotados.”

As ondas tragaram tudo. O dilúvio destruidor cobriu todas as coisas. A Arca moveu-se, flutuando sobre as águas. Noé disse: “Que sua navegação e ancoragem sejam em nome de Deus”. A Arca seguiu entre as ondas. A terra era como um grande oceano. Nada havia senão água e os cumes das montanhas. A tempestade continuou caindo fortemente. A água continuava jorrando da terra. Os dias se passavam, mas permanecia chovendo. O vento tornou-se ainda mais forte. As ondas mais violentas. E eram tão altas quanto as montanhas.

Quarenta dias se passaram. Entretanto, chovia copiosamente. A Arca navegava em meio as grandes ondas. Noé e os crentes oravam para que Deus tivesse misericórdia deles e os salvasse.

As Palavras Sagradas

O anjo desceu dos céus ao Profeta e aos crentes com as palavras sagradas. Noé escreveu-as em uma tabuleta para proteger a Arca de um naufrágio no dilúvio. Naquela época as pessoas escreviam numa antiga língua semítica. Noé escreveu as seguintes palavras sagradas na tabuleta:

“Meu Senhor e Socorredor, ajude-me com teu favor e misericórdia. (Ajude-me) por intermédio desses nomes sagrados: Mohammad, Alia, Shabur, Shabir e Fatima. Todos eles são grandes e honoráveis. O mundo está estabelecido para eles. Ajude-me por estes nomes. Somente Tu pode guiar-me para a senda reta.”

Noé (A.S.) fixou a tabuleta na proa da Arca. Os crentes leram atentamente os nomes sagrados daquelas pessoas que ainda não haviam nascido. Eles seriam da descendência de Noé. A Arca continuou singrando as ondas do mar. Dirigindo-se para o Norte. A chuva continuou caindo fortemente. Os crentes oravam a Deus para salvá-los do grande dilúvio. Depois de quarenta dias, parou de chover. As nuvens se dispersaram gradualmente. O sol surgiu. Um belo arco-íris apareceu no horizonte com suas lindas cores. Que encheram os crentes de esperança.

O Profeta Noé (A.S.) soltou um corvo. O corvo voou alto no céu. Fez uma curva no espaço e retornou, pois não encontrou nenhuma terra para pousar. Então Noé soltou um pombo branco. O pombo partiu. Voando sobre as águas até desaparecer. Depois de algum tempo, o pombo voltou. Estava carregando um galhinho de oliveira em seu bico rosado. Noé e os crentes ficaram alegres com aquilo. O dilúvio havia terminado. Deus protegeu-os da maldade dos descrentes. Em seguida Noé soltou o mesmo pombo. O pombo voou pelo céu e não retornou. Noé percebeu que o pombo havia encontrado terra para pousar. A Arca seguiu para o norte. Então ancorou no topo do Monte Judi.

Deus, o Glorioso, ordenou ao céu e a terra: “Ó terra, absorve tuas águas! Ó céu detém-te!”

As nuvens se dissiparam e as águas foram absorvidas. A chuva cessou. A terra tragou sua água. O nível da água diminuiu dia a dia. As montanhas e as colinas surgiram. Alguns vales estavam ainda inundados. Deus inspirou Noé: “Ó Noé, desembarca com a nossa saudação e a nossa benção sobre ti e sobre os que estão contigo.”

Noé e os crentes deixaram a Arca e desceram a montanha. A Terra havia se tornado pura. Os crentes retomaram suas vidas. Formavam uma pequena comunidade. Entretanto, a sociedade estava livre dos descrentes. Acreditava em Deus e em seu Mensageiro. A vida retornou a terra. A sociedade de crentes levava uma vida pacífica. Não havia nenhum opressor ou oprimido. Nenhum ladrão ou malfeitor. O Profeta Noé (A.S.) e os crentes viviam em paz. Noé viveu uma longa vida. Sua idade já era muito avançada já que ele convocou as pessoas a fé em Deus por novecentos e cinqüenta anos. Qual idade tinha Noé quando Deus o enviou para o seu povo? Quanto tempo viveu após o dilúvio? Ninguém sabe. Porém, é certo que viveu uma vida longa.

Noé estava sentado sob o sol quando o anjo da morte veio até ele. O anjo da morte perguntou: “Viveste uma longa vida. Qual a tua opinião sobre a vida? “ Noé ergueu-se e sentou à sombra e disse: “Minha vida neste mundo foi como este movimento da luz do sol para a sombra.” Noé fechou os olhos. Ele cumpriu sua mensagem e salvou o povo da destruição. Por esta razão, Deus, o Glorioso, distinguiu-o com saudações imortais. Quando Ele disse: “A paz e a saudação esteja com Noé entre as criaturas!”.

Noé suplicou a Deus através dos Nomes Sagrados

Em julho de 1950, alguns arqueólogos russos procuravam ruínas no vale de Qaf. Eles encontraram velhos pedaços de madeira espalhados. Isto os levou a escavar mais profundamente. Então encontraram outros pedaços de madeira fossilizados. Os arqueólogos encontraram um pedaço de madeira alongado. Este pedaço tinha 14 polegadas de comprimento e 10 de largura. Os arqueólogos ficaram surpresos ao ver aquele pedaço de madeira, pois se encontrava inalterado. Não havia nem apodrecido tampouco partido como os demais.

Em 1952, os arqueólogos descobriram que aquele pedaço de madeira havia pertencido a Arca de Noé (A.S.) e os outros fragmentos pertenciam ao casco da Arca. Os historiadores tinham mencionado que a Arca de Noé (A.S.) havia ancorado no cume do Monte Qaf. Algumas letras estavam escritas naquele pedaço de madeira. A escrita era de alguma língua antiga (já extinta). O governo russo formou uma equipe de arqueólogos em 1953. Esta equipe incluía sete especialistas em línguas antigas. Eram eles: Sula Nouf, professor de línguas da Universidade de Moscou, Ifahan Khnyo, um sábio em línguas antigas do Lolohan College da China, Mishanin Lo, curador de monumentos antigos, Tanmol Gorf, professor de línguas do Kivzo College, Day Rakn, professor de monumentos antigos do instituto Lenin, Im Ahmed Kolad, diretor de escavações e descobertas, Major Kolotov, diretor da Universidade Stalin.

Depois de oito meses de estudos, esses lingüistas concluíram que a peça pertencia a Arca de Noé e que este a havia pregado na proa de sua Arca para protegê-la do dilúvio. As letras naquele pedaço de madeira estavam escritas numa língua semítica. O sábio britânico, E.F. Max, professor de idiomas antigos da Universidade de Manchester, traduziu-as para o Inglês da seguinte maneira:

“Ó meu Senhor e Socorredor, ajude-me com seu favor e misericórdia, (ajude-me) por intermédio desses nomes sagrados: Mohammad, Alia, Shabur, Shabir e Fatima. Todos eles são grandes e honoráveis. O mundo está estabelecido para eles. Ajude-me por intermédio de seus nomes. Somente Tu podes guiar-me para a senda reta.”

Os sábios estrangeiros ficaram surpresos com a excelência desses cinco nomes mencionados e o status dessas pessoas diante de Deus, o Altíssimo. Noé (A.S.) suplicou a Deus por meio desses nomes. Contudo, nenhum deles soube porque aquele pedaço de madeira não havia se deteriorado após ter ficado ali por milhares de anos. Esta relíquia se encontra hoje no Museu de Moscou.

O Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse:

“Minha família se assemelha a Arca de Noé. Aquele que nela embarcou, se salvou e aquele que ficou fora dela se afogou.”

Sura Nuh (Noé)

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

1. Em verdade, enviamos Noé ao seu povo, (dizendo-lhe): Admoesta o teu povo, antes que o açoite um castigo doloroso!
2. Disse: Ó povo meu, em verdade, sou um elucidativo admoestador para vós
3. Adorai a Deus, temei-O e obedecei-me.
4. Ele vos absolverá os pecados e vos concederá um prazo, até um término prefixado, porque quando chegar a hora do término prescrito por Deus, este não será prorrogado. Se o soubésseis!
5. (Noé) disse: Ó Senhor meu, tenho predicado ao meu povo noite e dia;
6. Porém, a minha predicação não fez outro, coisa senão aumentar o afastamento deles (da verdade).
7. E cada vez que os convocava ao arrependimento, para que Tu os perdoasses, tapavam os ouvidos com os dedos e se envolviam com as suas vestimentas, obstinando-se no erro e ensoberbecendo-se grotescamente.
8. Então, convoquei-os altissonantemente;
9. Depois os exortei palatina e privativamente,
10. Dizendo-lhes: Implorai o perdão do vosso Senhor, porque é Indulgentíssimo;
11. Enviar-vos-á do céu copiosas chuvas,
12. Aumentar-vos-á os vossos bens e filhos, e vos concederá jardins e rios.
13. Que vos sucede, que não depositais as vossas esperanças em Deus,
14. Sendo que Ele vos criou gradativamente?
15. Não reparastes em como Deus criou sete céus sobrepostos,
16. E colocou neles a lua reluzente e o sol, como uma lâmpada?
17. E Deus vos produziu da terra, paulatinamente.
18. Então, vos fará retornar a ela, e vos fará surgir novamente.
19. Deus vos fez a terra como um tapete,
20. Para que a percorrêsseis por amplos caminhos.
21. Noé disse: Ó Senhor meu, eles me desobedeceram e seguiram aqueles para os quais os bens o filhos não fizeram mais do que lhes agravar a desventura!
22. E conspiraram enormemente (contra Noé).
23. E disseram (uns com os outros): Não abandoneis os vossos deuses, nem tampouco abandoneis Wadda, nem Sua’a, nem Yaguça, nem Ya’uca, nem Nassara,
24. Apesar de estes haverem extraviado muitos, se bem que Tu, ó Senhor meu, não aumentarás em nada os iníquos, senão em extravio.
25. Foram afogados pelos seus pecados, serão introduzidos no fogo infernal e não encontrarão, para si, socorredores, além de Deus.
26. E Noé disse: Ó Senhor meu, não deixeis sobre a terra nenhum dos incrédulos.
27. Porque, se deixares, eles extraviarão os Teus servos, e não gerarão senão os libertinos, ingratos.
28. Ó Senhos meu, perdoa-me a mim, aos meus pais e a todo fiel que entrar em minha casa, assim como também aos fiéis e às fiéis, e não aumentes em nada os iníquos, senão em perdição.

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